P
E S C A
Esta
atividade proporciona aos esportistas momentos de muita paciência
e grande prazer, porém o prêmio do grande troféu
é assegurado pela variedade e quantidade de peixes dos
rios do Pantanal matogrossense.
Conheça
aqui alguns peixes existentes nesta região:

J
A Ú

Maior
espécie que habita os rios de Mato Grosso do Sul, jaú
pertence à família dos Pimelodidae. Pode alcançar,
segundo a literatura e relatos disponíveis, 2 metros de
comprimento e pesar até 130 kg, Parece história
de pescador, mas a captura de jaús de 40 a 60 kg era comum,
nas décadas de 70 e 80 em rios muito longe de Campo Grande.
Jáu
é um peixe de couro, entre os inúmeros bagres existentes
em nossas águas interiores. Os de tamanho avantajado dão
muito trabalho ao pescador. Mesmo os exemplares menores, abaixo
das medidas estabelecidas para a sua soltura (90 cm), quando pescados
com material leve, trazem muita diversão ao pescador.
Tem
a cabeça ampla e achatada e o corpo que se afina em direção
à cauda. O pescador deve ficar atento aos espinhos existentes
nas nadadeiras. Quando adultos, tem uma coloração
de pardo para marrom escuro no dorso e o ventre esbranquiçado.
Já o exemplar jovem tem a cor do dorso e dos flancos amareladas.
São encontrados principalmente em poços profundos
e junto às margens nas baías. Quando a água
está limpa os jaús adquirem uma coloração
escura. Os de maior tamanho preferem o canal mais fundo do rio
para se deslocar.
Semelhantes
a outros bagres de porte, preferem como iscas os peixes vivos
(pacupeba, jejus, tuviras, piaus, piraputangas, ou então
pedaços de peixes). A sua maior atividade se dá
à noite. Já os exemplares menores, que também
aparecem durante o dia, não resistem a um bom pedaço
de minhocuçu. O material utilizado dever ser proporcional
ao tamanho do peixe que se quer fisgar, podendo variar 0.33 mm
a 0.90 mm.
Dicas
A
pesca do jaú não sai barata ao pescador. A isca
preferida é o minhocuçu mineiro, que custa de R$
10,00 a 20,00 a dúzia. O pescador deve iscar um minhocuçu
inteiro no anzol (formando uma bolota ou "encapando o anzol
e o encastoado" por inteiro). O ataque dos animais à
isca chega a ser irritante. Como o jaú caça no fundo
do leito do rio, é preciso usar uma chumbada pesada, o
que significa maiores possibilidades de enrosco. Mas o esforço
começa a valer a pena quando o pescador consegue engatar
o primeiro exemplar. Se prepare, porque o jaú nunca se
entrega.
Modalidade
Pescadores sul-mato-grossense adaptaram algumas iscas para capturar
dourados no fly. No lugar das tradicionais "moscas"
e "besouros", usando comumente na pesca de trutas, apaiaris
e piraputangas, um streamer isca feita de pêlo
que imita pequenos peixes utilizado na Argentina foi adaptado
para os rios do Estado. O segredo é lançar a isca
sempre em águas rápidas, pois o streamer
precisa de movimento. Os rios Aquidauana (nas águas rápidas),
Miranda na região de Vinte e Um e Salobrinha e o rio
Paraguai, na região de Albuquerque, são alguns dos
melhores pontos para pescar o dourado com o fly.
D
O U R A D O

O
D ourado é o rei dos rios brasileiros. Considerado um dos
mais belos espécimes que habitam os rios de água
doce do País, o dourado é também um dos preferidos
dos pescadores esportivos por causa da voracidade com que morde
a isca e pela força e resistência na hora de tentar
embarcar o peixe. O dourado que habita dos rios de Mato Grosso
do Sul é imbatível em sabor (pode ser assado, frito
ou fatiado cru para sashimi), beleza, voracidade e esportividade.
Extremamente voraz, o dourado se alimenta de outros peixes menores,
como corimbatás, lambaris e piranhas. O dourado passa Ύ
da vida perseguindo os peixes menores em jornadas que chegam até
a 10 quilômetros por dia.
Características
Como o próprio nome diz, apresenta coloração
dourada por todo o corpo: cada escama tem um pequeno filete negro
no meio, formando riscas longitudinais da cabeça à
cauda. Normalmente, apanha-se exemplares com cerca de 70 cm de
comprimento e 6 kg de peso. Mas existem registros de peixes com
1,40m e mais de 30 kg.
Na
Bacia da Prata, na jusante de Foz do Iguaçu, há
relatos de capturas de exemplares próximo aos 20 kg. Idênticos
exemplares podem ser fisgados na Bacia de São Francisco.
Com
a construção de diversas barragens nos grandes rios
brasileiros, essa espécie teve o seu estoque populacional
diminuído consideravelmente. Peixe que se reproduz durante
a piracema, necessita da correnteza dos rios para completar o
seu ciclo reprodutivo. Algumas empresas de energia elétrica
vêm criando alevinos de dourado em cativeiro, numa tentativa
de preservar a espécie, especialmente no alto da Bacia
da Prata.
Locais
para pesca: Rios, preferencialmente onde haja corredeiras,
cachoeiras, águas rápidas.
Épocas
para pesca: Durante todo ano, especialmente quando os rios
entram em vazante.
Equipamento:
Material médio e pesado, varo com molinete ou carretilha.
Linha 0,50 a 0,80. Anzóis: 5/0 a 8/0.
Iscas
Naturais: Pequenos peixes (cascudo, lambari, piau, piava,
curimbatá, tuvira).
Artificiais:
Colheres, jigs, spinners e plugs de superfície ou meia-água.
J U R U P O C A
Bastante
comum nos rios de Mato Grosso do Sul que desembocam no Pantanal,
a jurupoca é mais uma das muitas espécies de peixe
de couro existentes em nossas águas interiores. Como todos
os demais bagres, gosta de ficar em poços não muito
profundos, nas saídas de corixos, igarapés e lagoas.
A sua atividade aumenta ao entardecer e à noite, quando
ataca iscas com mais vontade. As iscas mais utilizadas são
pequenos peixes vivos (sauá, lambari, tuviras, jeju e pedaços
de peixe). Outra isca que costuma dar bons resultados é
o minhocuçu.
Da
família dos Pimelodidae, a Jurupoca apresenta uma coloração
esverdeada-escura no dorso, enquanto o seu ventre tem uma cor
mais esbranquiçada. As características marcantes,
de fácil identificação, são as pintas
(de 2 a 4) que existem na lateral do corpo e uma adicional na
nadadeira caudal. Pode atingir aproximadamente 60 cm de comprimento
e 4 kg. de peso.
A
jurupoca, cuja carne é de excelente sabor, pode ser pescada
durante todo o ano (respeitando, naturalmente, o período
de defeso). Contudo, é mais fácil de ser fisgada
quando o nível do rio estiver um pouco alto e com a coloração
mais propícia para os peixes de couro (suja).
Para
pescar utilize material leve. Linha de aproximadamente 0,30 mm
e vara de ação média. Utilize sempre um pequeno
embate de aço para evitar surpresas com piranhas, os maiores
"roubadores" de iscas.
P
A C U

Bastante
arisco por ser muito sensível ao barulho e muito valente
no momento da fisgada, o pacu é um dos espécimes
mais visadas pelos pescadores esportivos. Além de estar
presente em praticamente todos os rios médios e grandes
de Mato Grosso do Sul, pacu foi um dos primeiros espécimes
introduzidos em lagoas e açudes por meio da técnica
da reprodução artificial.
Hoje
o pacu de cativeiro é um dos peixes mais populares em pesque-pagues
do Estado. Contudo, é bom lembrar as técnicas para
fisgar um pacu de cativeiro que pesa em média 1,5 kg.
em tanques e fisgar um exemplar no rio que pode chegar a pesar
até 7 a 8 kg. diferem substancialmente. Para cada situação
existem iscas e apetrechos adequados.
As
iscas mais utilizadas nos pesque-pagues são: massinha,
minhocuçu, fígado, coração de boi,
tripa de galinha, etc. As mesmas iscas podem ser utilizadas em
rios onde não existem piranhas, como por exemplo, o rio
Aquidauana. Nos rios Miranda e Paraguai as iscas mais utilizadas
para o pacu são o caranguejo na pesca tradicional e, o
tucum, na pesca de batida.
Peixe
muito sensível ao barulho, pescadores profissionais preferem
barcos feitos de madeira. Já entre os amadores existem
àqueles que preferem forrar o piso do barco com material
emborrachado para diminuir os pontos de barulho.
Descrição
Espécie
de água-doce, de corpo delgado e ovalado, tem uma certa
semelhança com as piranhas. Já houve casos em que
piranhas maiores já confundiram pescadores menos avisados.
Contudo, as semelhanças são meramente físicas,
pois desde o momento da fisgada o pacu mostra quem é quem.
Com dentes afiados e uma forte mandíbula capaz de destroçar
um coquinho com uma dentada pacu avança sobre a isca
e nada velozmente em direção à mata ou tenta
corrida em direção ao leito do rio. Não salta
como o dourado, piraputanga ou tucunaré, mas briga como
poucos e jamais se entrega até boiar, já próximo
ao barco ou à margem do rio.
Existem
no Brasil em torno de 20 espécies de pacu, sendo que os
exemplares mais avantajados podem atingir 80 cm de comprimento,
pesando até 20 kg. No Estado, os maiores pacus podem ser
encontrados no rio Taquari e no rio Paraguai, na região
do Carandazal.
É
um peixe que come praticamente de tudo e é comum apanhá-lo
debaixo de árvores frutíferas. Pescador experiente
pode tentar fisgar o pacu com iscas artificiais com plug e meia
água que imite em cor e tamanho as frutinhas nativas.
Esportividade
Pacu
é um peixe comum em rios que desembocam no Pantanal. Pode
ser encontrado em vários ambientes dependendo da época
do ano. No período das cheias, nas matas alegadas, e quando
o rio está na caixa, no leito do rio.
Sua
coloração pode mudar de quase preto, quando está
nas águas inundadas a amarelo, quando esta nadando nas
cabeceiras dos rios para a reprodução. Trata-se
de um peixe onívoro, que se alimenta de folhas, flores
e frutos do Pantanal, além de outros animais, como caranguejos
e caramujos.
Locais
para pesca: leito dos riso, no período da seca; nas
cheias nos rios e lagos marginais.
Época
para pesca: durante todo o ano, principalmente no período
das cheias.
Equipamento:
material de categoria média e pesada, vara com molinete
ou carretilha.
Linha:
0,45 a 0,70mm. Anzóis: 5/0 a 8/0 (mustad ref: 92676). É
muito esportiva a pesca na modalidade de batida, com vara de bambu
e linha (0,80 a 1,00mm) do mesmo tamanho da vara. Recomenda-se
usar um pequeno empate de aço.
Iscas:
caranguejo, filés de peixes (corimbatá e piau);
frutas (jenipapo, melancia-do-pacu, laranjinha). No sistema de
batida, usa-se muito o tucum e as bolotas de massa. A utilização
de iscas artificiais para a pesca do pacu é uma técnica
pouco difundida. A isca, um plug de meia água, deve ter
a coloração de uma frutinha da época. Ela
deve ser lançada em direção a possíveis
pontos onde o pacu está se alimentando, geralmente debaixo
de uma árvore.
Distribuição
Através
de diversos peixamentos, oficiais ou não, o pacu também
é encontrado em diversas represas, lagos, barragens e tanques
de pesque-pagues.
Na
cozinha
Um
dos melhores modos de se preparar o pacu, é na grelha.
Para tanto deve cortá-lo ao meio, na sua direção
longitudinal. A melhor opção é utilizar uma
serra elétrica de açougueiro. As duas parte do pacu
devem ser então untadas com sal grosso. Com a parte da
pelo e as escamas votadas para as brasas, deve-se deixar o peixe
assar lentamente em sua gordura. Sirva com pedaços de limão.
P
A L M I T O
O
Palmito é um peixe relativamente pequeno, muito esportivo
e abundante em rios do Pantanal. Quando fisgado, salta como a
piraputanga e o dourado tentando se desvencilhar do anzol. O tamanho
médio, comumente encontrado, gira em torno de 30 cm.
Apesar
de não constar na lista dos peixes favoritos dos pescadores
que visitam os rios de Mato Grosso do Sul, o palmito tem uma carne
de excelente qualidade e sabor. Quando pescado com material leve,
proporciona bons momentos ao pescador, principalmente se encontrarmos
um cardume. Ele é encontrado em toda a extensão
dos rios, mas principalmente em saídas de corixos e igarapés.
Pedaços de peixes e minhocuçu são as iscas
que proporcionam o melhor resultado.
P
I N T A D O

Muito
apreciado pelo sabor da carne e força e vigor na hora da
fisgada, o pintado é um dos peixes mais visados pelos pescadores
esportivos que visitam os rios de Mato Grosso do Sul. Conseguir
captura-lo é sempre sinônimo de grande emoção
para o pescador.
Encontrado
em praticamente todos os rios médios e grandes do Estado,
o pintado pode chegar a pesar até 80 kg., mas são
raros os exemplares desse porte encontrados hoje.
Como
todos os outros bagres similares, tem a cabeça achatada
que chega a ter uma dimensão entre 1/4 a 1/3 do tamanho
do corpo.
Iscas
As melhores iscas para fisgar o pintado são: o muçum,
a tuvira, o minhocuçu e as iscas brancas como o sauás,
lambaris e curimbinhas. Antes de comprar a isca é aconselhável
perguntar ao ribeirinho ou a um piloteiro de confiança
que tipo de isca o peixe está comendo. Dependendo da
época, o pintado só cai no muçum. Outras
vezes, só na isca branca capturada no rio.
Fisgar
um pintado com isca artificial é muito difícil,
mas não impossível. As iscas de meia-água
e de profundidade são as mais indicadas já que o
pintado passa maior parte do tempo no fundo do rio e dificilmente
sobe à superfície para caçar. As iscas mais
indicadas são: Chad Rap da Rapala, 16A da Bomber e 8A da
Bomber.
Como
a maioria dos siluriformes, tem hábitos noturnos, embora
muitas vezes possa ser capturado durante o dia. A sua coloração
é cinza-parda, com pequenas manchas presta arredondadas
ao longo do corpo, que tem a forma cilíndrica. Tem longos
barbilhões e o seu ventre tem uma coloração
esbranquiçada.
Freqüentando
os fundos dos rios e seus poços, alimentam-se de pequenos
peixes, crustáceos, vermes, pedaços de peixes, etc.
Respeitando os meses do defeso, normalmente de novembro a fevereiro,
o pintado pode ser pescado durante o ano inteiro. Atinge tamanhos
bastante avançados.
Entretanto,
os exemplares de maior porte encontrados hoje pesam faixa que
varia de 5 a 12 kg. com um comprimento em torno de 0,90 a 1,20
m. A sua carne é de excelente qualidade, principalmente
quando o peixe é feito na brasa. Para pescá-lo,
pode-se usar iscas naturais. Quando fisgado, muitas vezes procura
abrigo embaixo dos camalotes, tornando assim a sua luta bastante
exaustiva.
T
R A Í R A

Até
há pouco tempo chamar um pescador de "lobozeiro"
podia acabar em briga. Hoje o lobó, ou a traíra,
já conquistou o status de peixe esportivo por causa
da voracidade com que ataca a isca e resistência na hora
da briga. Com a aparência de um peixe primitivo e dentes
afiados, a traíra habita em lagos, açudes, rios
e qualquer manancial de água que tenha alimento disponível.
Existem duas espécies reconhecidas: Hoplias malabaricus
e Hoplies lacerdae.
As
traíras são resistentes e de grande adaptação
às condições locais. É um predador
voraz acostumado a esperar pela presa. Ataca usando a camuflagem
como elemento de surpresa. As traíras possuem um mimetismo
que as torna invisíveis. Conseguem camuflar-se, entre vegetação
do fundo e junto às estruturas. Como possui dentes pontiagudos
consegue segurar a presa facilmente. Estes mesmos dentes são
responsáveis por muitas linhas partidas. É aconselhável
dotar o terminal da linha com um embate de aço ou de um
líder. Além de linhas partidas, há freqüentes
casos de iscas artificiais perfuradas e de pequenos acidentes
(mordidas) com pescadores desprevenidos.
Iscas
Preferidas As iscas de superfície como poppers,
spinners, spinner bait, hélices (que façam barulho),
pequenos animais de material sintético representando sapos,
salamandras, são os mais apropriados para a captura da
traíra. O pescador deve lançar a isca em locais
sombreados ou perto da vegetação subaquática.
A ação das iscas deve ser concentrada em qualquer
tipo de estruturas existentes e em regiões de densa vegetação
que propiciam proteção e alimento, pois são
locais que as traíras escolhem como habitat.
Não
é difícil encontrar traíras em pequenos lagos,
ou mesmo poças desde que constantes em nível de
água e com possibilidade de encontrar alimento. Nos meses
de procriação, há relatos de ataques a qualquer
intruso ao seu local de desova. Sua reprodução já
tem início no primeiro ano de vida. Em algumas regiões
do Brasil este peixe tem a capacidade de reproduzir-se durante
todo o ano, em outros apresentam períodos variáveis
mais predominantes de novembro a janeiro. Em cada desova liberam
de 2500 a 3000 ovos, que eclodem em um período de 38 a
52 horas.
Coloração
Em locais de águas barrentas terão cores claras.
Já em águas mais limpas apresentarão cores
mais escuras. Em boas condições de alimentação
as traíras conseguem atingir pesos ao redor de 4 kg. Habitam
ambientes lênticos e têm hábitos preferencialmente
noturnos. É um peixe voraz, briguento, completamente territorial,
e muito esportivo. Possui dentes afiadíssimos e todo o
cuidado é pouco no seu manuseio, pois além de tudo
a traíra é extremamente lisa e escorregadia. A traíra
está ativa quando a água está quente, com
temperatura acima de 18ΊC. Nos meses frios se enterram no fundo
para suportarem a baixa temperatura da água.
Trairão
Espécie fluvial da mesma família da traíra,
porém com o corpo muito mais avantajado: pode alcançar
1 m de comprimento, pesando até 18 kg. Sua colocação
é quase negra no dorso, enquanto dos flancos são
acinzentados e o ventre esbranquiçado. Ao contrário
da traíra, que prefere água parada, o trairão
gosta de águas correntes. Tem carne de excelente sabor,
equiparada as vezes a carne de peixes nobres, como o dourado.
Distribuição geográfica: Bacia Amazônica
e rio Ribeira do Iguape (SP).
Iscas
Artificiais Para a captura de traíras utilizando
iscas artificiais é recomendado varas de 1,70m a 2,15m
de comprimento, de ação média e média
pesada e linha de 0,30 mm. As iscas artificiais devem ser arremessadas
em locais de águas lênticas, geralmente próximos
a troncos e vegetação marginal. O ataque geralmente
ocorre próximo da margem, onde o pescador deve estar atento.
Uma boa dica é arremessar a isco paralelamente à
margem e recolher, com leves toques, no mesmo sentido.
Iscas
Naturais A isca de melhor eficiência é o lambari,
mas podem ser usadas outras espécies. A técnica
de captura é a mesma descrita para as iscar artificiais.
Como as iscas naturais tendem a ir para o fundo, o pescador deve
trabalhar com pequenos toques e recolhimento com pequenas pausas.
Uma observação deve ser feita: a traíra tem
como hábito de capturar suas presas pela cabeça.
T
U C U N A R É

Originário
da Bacia Amazônica, o tucunaré se caracteriza principalmente
pelo ocelo (mancha preta arredondada, cercada por um anel amarelo)
que tem na nadadeira caudal. Outra marca são as três
listas transversais de seu corpo (embora ausentes na espécie
conhecida como paca). Também há uma variedade que
tem apenas uma listra longitudinal em toda extensão do
corpo.
Variedades
- Pescadores identificam pelo menos três diferentes
espécies de tucunaré (do tipo tukunaré).
Além do paca, que tem pintas em seu corpo, há o
tucunaré-açu (o maior da família) e o borboleta,
com manchas em suas laterais. Na Bacia do Prata e do Paraná
e no Pantanal (veja onde encontrá-los) os tipos mais conhecidos
são o azul e o amarelo. Na Amazônia, o hábitat
preferencial são lagoas durante a cheia. Procura a margem
das lagos no início da manhã e final do dia, na
hora do sol mais quente se dirige, em geral, ao centro das lagoas.
Em rios que não possuem lagoas, ele se protege da água
corrente atrás de obstáculos de pedras e galhos.
Proliferação
- O tucunaré tem sido introduzido em outras regiões
adaptando-se bem. Porém sua introdução em
locais fora de seu habitat natural deve ser sempre acompanhada
de um prévio e sério estudo do impacto no ambiente.
O tucunaré vive em locais de águas calmas. Faz seu
habitat entre galhadas e estruturas submersas. O casal cuida de
sua prole até o estágio de alevinos quando então
saem aos milhares, em cardume. Nesse momento perdem a proteção
de seus genitores tornando-se por um espaço de tempo alimento
de todos os peixes que mais tarde serão sua fonte de sustento.
Iscas
As iscas que proporcionam mais emoção na pesca
do Tucunaré são de superfície. Poppers,
sticks e zaras, entre outras, entretanto, praticamente qualquer
tipo de isca poderá ser utilizada com eficiência
nesta pesca, dando destaque para as iscas de barbela de meia-água.
A agressividade de seu ataque na isca e a rápida corrida
que dá em seguida é algo inesquecível. É
capaz de arrancar o caniço da mão de um pescador
desatento, abrir garatéias e arrancar pitões. Quando
fisgados, sua primeira reação, é ir direto
para a galhada mais próxima. Realizam verdadeiras acrobacias
aéreas. Há casos em que o Tucunaré projeta-se
contra pedras fora dágua na mais louca tentativa de libertar-se.
Nesta hora, todo sistema de pesca é testado. Vara, carretilha,
linha, e o pescador serão postos à prova, mas é
preciso também contar com um pouco de sorte.
Hábitos
O tucunaré é um predador extremamente cuidadoso
com suas crias. Seu principal alimento são peixes, que
caçam no sistema de tocaia ou perseguição.
As iscas artificiais para a captura do tucunaré mais emocionantes
são os plugs (imitações de peixe)
de superfície, devido aos botes que dão. Necessita-se
de habilidade para não deixar o peixe levar a isca para
as galhadas.
Pesca
A pesca do tucunaré exige paciência. Nem sempre
o peixe está nos lugares mais óbvios. Assim, o pescador
escolhe, de seu arsenal de iscas artificiais, a que parece mais
promissora. Onde há muitos galhos submersos, as iscas de
superfície são mais indicadas, para não enroscar.
Além disso, são as que oferecem mais emoção,
pois o peixe ataca a isca com fúria de predador faminto.
Muito eficientes, as iscas de meia-água são usadas
em áreas mais limpas. Mas importante, porém, é
encontrar o peixe.
De
pé ou sentado, o pescador joga a isca nos locais onde sua
experiência diz que pode haver peixe. O arremesso preciso,
certeiro, é fruto de aprendizado e treino. O diâmetro
da linha, as características da vara, o peso da isca e
a qualidade da carretilha influem no lançamento. Com muita
freqüência, a isca mal bate na água e o tucunaré
ataca. Por isso, a precisão é fundamental. Sem pontaria,
a isca vai parar em qualquer lugar, no galho de uma árvore
ou no meio das pedras.
Nesse
tipo de pescaria, o barco não fica parado, vai se movimentando
ao longo das margens, lentamente, com auxílio de um motor
elétrico silencioso ou a remo. Enquanto se desloca, os
arremessos são feitos, a distâncias médias
de 10 a 15 metros. O alvo costuma ser um toco de árvore,
sob uma árvore caída, entre galhos, no canal entre
duas pedras. As tentativas se sucedem. Caso não estejam
atuando bem, as iscas são trocadas por outras de ação
ou de cor diferentes. Então, de repente, o tucunaré
ataca.
Às
vezes, com ajuda da sorte, a isca cai exatamente onde o peixe
está. A ação é fulminante. O tucunaré
se atira sobre a isca com um estrondo na água. Ao sentir
a fisgada da garatéia (anzol com três pontas) e a
resistência da linha, dá vários saltos no
ar, tenta fugir, procurando o refúgio dos galhos submersos
ou entre as pedras. Depois do susto, que eleva a adrenalina subitamente,
a tarefa é evitar que o peixe se enrosque. A carretilha
não pode estar travada, porque a linha pode se romper.
C
A C H O R R A

Cachorra
é um peixe de água doce que tem como principal característica
a sua dentadura afiada, com dois dentes proeminentes na mandíbula
inferior, que atravessam a mandíbula superior por duas
aberturas existentes quando está de boca fechada. Existem
duas espécies de cachorras: a facão (comprida e
fina) que pode ser encontrada em praticamente todos os rios de
Mato Grosso do Sul e a larga, encontrada apenas na Bacia Amazônica
e que pode pesar até 20 kg.
A
cachorra normalmente não consta em nenhum cardápio
de culinária, já que a parte aproveitável
(filé) é muito pequena pelo próprio formato
do corpo, bem delgado. Contudo pescadores experientes, como Luiz
Matsuo, dono de um pesqueiro em Miranda, afirmam que o filé
de cachorra pode ser servido fatiado como sashimi.
Ruim
na mesa, a cachorra é excelente na hora da fisgada. Muito
apreciada pelos pescadores que utilizam iscas artificiais, a pesca
da cachorra é uma sucessão de emoções.
Geralmente onde se fisga uma, com certeza existem outras, já
que ela sempre nada em cardume. É comum fisgar dezenas
delas quando pescamos próximo ao cardume.
O
seu manuseio deve ser cuidadoso, não só pelos dentes,
mas também para não danificar suas escamas, que
são bastante finas e sensíveis.
MS
As cachorras comumente encontradas em rios do Estado e medem,
geralmente, em torno de 50 a 70 cm. Muito rápida, a cachorra
costuma saltar como o dourado na hora da fisgada. As melhores
iscas são as de superfície, já que a espécie
costuma atacar a 10 a 20 cm da superfície.
Dependendo
da região, os exemplares podem atingir tamanhos de mais
de 1 metro e peso de 10 kg. As iscas naturais preferidas são
pequenos peixes vivos como o lambari, piau e a tuvira, enquanto
que as artificiais que dão melhores resultados são
as Rapala e Bomber de meia-água.